Da intolerância

Posted in Outros trabalhos by Dalton on julho 7th, 2008

“I pray, understand a plain man in his plain meaning”
(Shakespeare, The Merchant of Venice, act. 4, sc. I, l. 63)
“I am not bound to please thou with my answer”
(Shakespeare, The Merchant of Venice, act 4, sc. I, l. 65)

Sempre me considerei, sem falsa modéstia, uma das pessoas mais tolerantes da paróquia. Convivi, e convivo até hoje, com bons amigos e até mesmo nem tanto, que têm opiniões totalmente opostas às minhas, desde política a futebol, sem o menor atrito.
Tenho comigo mesmo, desenvolvido ao passar dos anos, um dogma, única exceção à tolerância. Discussões não duram mais que dois minutos, e, se grosseiras ou possivelmente grosseiras, nem as inicio. É um problema de foro intimo. Além de desnecessárias, são contraproducentes e fazem mal ao coração. Não levam a nada. Não tenho a mínima intenção de mudar a cabeça de alguém.
Dito isto, já entenderam os meus possíveis leitores o não ter eu respondido ao tragicômico artigo que pretende destronar o palito de seu lugar de honra. E também porque nem mesmo mencionei o fio dental, seja contra, seja a favor. Todos têm o seu livre arbítrio e podem usar o que quiserem, ou não usar; para mim, tanto faz.
No entanto, como amigos e amigas tomaram o bastão da minha defesa, tem este a finalidade de os agradecer. Entenderam minha intenção, o “espírito da coisa”, que foi meramente no sentido jocoso, da brincadeira, do humor, já que a vida é tão cheia de sofrimentos e tristezas, tanta miséria e tanta maldade.
Como seria bom se todos nós pudéssemos, no nosso dia a dia, pôr um pouco de humor nas nossas vidas, fazer os nossos fardos diários mais leves, encontrar em cada esquina uma pessoa sorridente, nos fortalecendo para enfrentarmos a fila dos bancos, a confusão do trânsito, os problemas do trabalho e a falta de dinheiro… O mundo seria outro. E o meu tão incompreendido “Do palito” (por alguns), não pretendeu mais do que jogar uma pitada de humor no dia a dia da nossa atribulada vida. Paciência. De intolerantes está cheio o reino de Deus. E, como diria o poeta, “Bola p’ra frente que o Real Madrid não é de nada”. Tenho dito, e não mais voltarei ao assunto. Vamos falar de outras coisas. Chega de palitos, embora continue com o meu.

(02/03/2002)

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